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01 de Junho de 2021

Sicredi UniEstados realiza live sobre Cenários e Tendências do Agronegócio

 

O especialista em análise de mercado, Carlos Cogo, e o presidente da

Aurora Alimentos, Neivor Canton, foram os palestrantes

           

           A Sicredi UniEstados realizou, na noite desta segunda-feira, 31, um evento em formato de live (transmissão ao vivo) aos seus associados, especialmente os do segmento do agronegócio, que contempla uma de suas principais matrizes estratégicas e constitui-se em atividade propulsora de desenvolvimento local em boa parte dos 46 municípios de sua área de ação. O evento contou com palestras sobre Cenários e Tendências do Agronegócio, com foco na área de grãos e a produção de proteína animal. Os convidados especiais para apresentarem o tema foram o especialista em análise de mercado, Carlos Cogo, e o presidente da Aurora Alimentos, Neivor Canton. A abertura coube ao presidente da Sicredi UniEstados, Adelar José Parmeggiani, que destacou que o setor agro é um dos mais importantes da cooperativa, lembrando que a Sicredi UniEstados já nasceu do agro, há exatos 40 anos.

            Parmeggiani fez uma breve apresentação do momento atual da cooperativa, presente em três Estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais -, com 53 agências, mais de 112 mil associados, mais de 67,3 milhões de resultado em 2020 e mais de R$ 17 milhões distribuídos aos associados. Segundo ele, o Sistema Sicredi teve forte atuação no setor agro: foi a 2ª instituição financeira em valor liberado em investimentos, sendo a 2ª em quantidade e valor liberado em custeios e também em segundo lugar em valores liberados nos três públicos: Pronaf, Pronamp e demais.

          Na Safra vigente 20/21, o Sistema Sicredi teve mais de 190 mil operações contratadas, R$ 23 bilhões liberados, alcançando 11,89% de representatividade nas liberações de crédito rural no Brasil. A Sicredi UniEstados, teve 8.135 operações contratadas e R$ 671 milhões liberados na safra vigente 20/21. Atualmente conta com uma carteira de crédito rural e direcionados de R$ 1,1 bilhão, representando 31,8% da participação de mercado nos municípios com agências. De acordo com Parmeggiani, esses números mostram a grandiosidade da cooperativa em um dos setores mais importantes da economia, que impulsiona o Brasil e tem o grande desafio de continuar a fazer a economia girar.

 

UMA VIAGEM PELO MUNDO DAS CARNES

          O presidente da Aurora Alimentos, Neivor Canton, ao abordar as tendências da indústria de carnes no Brasil fez uma viagem pelo mundo das carnes, com informações embasadas no mercado mundial. Disse ser um grande defensor do cooperativismo, tanto que são 11 cooperativas filiadas à Aurora e milhares de produtores. A Aurora Alimentos produz mais de 850 itens em fábricas próprias e terceirizadas. Destacou que o Brasil é um país vocacionado para o agronegócio e o Sul do país uma grande região produtora de proteína animal, com grande futuro, especialmente agora com seu status sanitário.

          De acordo com o presidente da Aurora, a avicultura e a suinocultura no Brasil geram 4,1 milhões de empregos diretos e indiretos, e mais de 100 mil famílias engajadas em um sistema que preserva o trabalhador no campo.

 

BRASIL É O 3º MAIOR PAÍS EXPORTADOR DE CARNE SUÍNA

           Conforme dados apresentados, o Brasil foi responsável por 14% do mercado mundial de carne de frango, com 13.845 milhões de toneladas. É o maior exportador de frango mundial, responsável por 30% das exportações. Segundo o palestrante, a produção brasileira de carne de frango não cresceu muito nos últimos anos, apenas cerca de 1% ao ano, sendo que 69% é para mercado interno e 31% para exportação. O país ostenta o maior consumo per capita, sendo 46,27 Kg/hab ao ano. Em seguida vem EUA com 43 Kg/hab e China com 37 Kg/hab. Os três Estados do Sul são os que mais abateram frango no país em 2020 e também os que mais exportaram, sendo o principal destino a China.

          Já a carne suína brasileira responde por apenas 4,5% da produção mundial. É o terceiro maior exportador, 9% da sua produção. Neivor informou que o Brasil tem apenas uma planta autorizada a exportar para os EUA que é da Aurora. O destino da produção brasileira de carne suína em 2020 foi de 77% para abastecer o mercado interno e 23% para exportação. O consumo per capita em 2020 foi 16 Kg/hab. O país que mais consome é Hong Kong com 67 Kg/hab. Os três estados do Sul concentram o maior número de abates e também são os estados que mais exportam, principalmente para a China e Hong Kong.

DESAFIOS E PERSPECTIVAS

           Entre os grandes desafios do setor de carnes, Neivor Canton citou a logística e a infraestrutura, as incertezas políticas e econômicas (eleições 2022), a regulação tributária, a legislação trabalhista, escassez de mão de obra para frigoríficos, riscos sanitários, dependência da China, menor oferta de milho e aumento de preço, além da pandemia. Ao finalizar apresentou projeções para as proteínas de origem animal até 2029 nas áreas de produção, consumo e exportações em nível mundial e a projeção nacional, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária até 2030. Segundo ele, ninguém bate a produção mundial do peixe.

            Para Neivor Canton, as perspectivas são favoráveis, pois se projeta crescimento da população mundial e consumo de proteína animal. Para ele, o Brasil é visto como grande produtor de alimentos e outro ponto positivo é o status sanitário, livre da peste suína e influenza aviária. O cooperativista concluiu falando sobre os planos de ampliação da Aurora Alimentos, especialmente na Região Alto Uruguai, que irão gerar muitos novos postos de trabalho.

 

CENÁRIOS PARA O AGRONEGÓCIO

           O especialista em análise de mercados, sócio proprietário da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, explanou sobre as perspectivas e cenários para o agronegócio brasileiro em 2021/2022. Segundo ele, os alimentos estão com os preços em níveis reais mais altos desde 2014. Isso se deve, conforme falou, não da inflação dos alimentos, mas da alta generalizada dos preços no mundo. Destacou a soja, que está 60% cima da média histórica e milho e trigo 20%.

            De acordo com o consultor, esse processo de alta ocorre por fatores conjunturais (aumento da demanda, importações crescentes) e estruturais (peste suína africana, China perdeu 265 milhões de cabeças de suínos, crise que vai levar tempo para ser resolvida, uma vez que não existe vacina, fazendo com que a maior população do mundo tenha que comprar grande volume de carne e grãos).

           Isso fez com que a soja subisse 70% em 12 meses, o milho 91,%, o trigo 15% e o próprio câmbio que hoje chega a quase R$ 6,00, além da rápida recuperação do petróleo que favorece as cotações do milho, soja, algodão e biocombustíveis, mas também impacta os preços dos fertilizantes e defensivos.

       Outro ponto destacado pelo consultor é que o trigo voltou a dar lucro no Brasil, pelo segundo ano consecutivo. Afirmou ser uma cultura rentável, mas desde que se trabalhe com alta tecnologia e variedades rentáveis.

           Antes de finalizar, Carlos Cogo aconselhou os produtores para não esperarem por maiores aumentos nos preços. Para ele, é muito arriscado para o produtor que não fez ainda nenhuma venda futura. “Os preços praticados para o ano que vem são muito altos. Não é uma estratégia adequada segurar o produto, pois pode haver uma mudança nos preços”, argumentou.

        Com relação ao crédito agrícola, segundo ele, as cooperativas de crédito são hoje as que mais estão financiando o produtor.